OMA

Aqui tem Responsabilidade

Ideia e Nascimento da OMA

Desde que recebeu o diagnóstico de autismo de sua filha, Carla Mandolesi percebeu que precisaria lutar. Em função das dificuldades que encontrou nesse período: desde a busca pelo diagnóstico,por um atendimento especializado adequado, perpassando pela falta de informação acerca do autismo, até a falta de acolhimento nesse momento tão difícil, Carla decidiu dividir com outras mães, atividades de sucesso, desenvolvidas com sua filha, para que todas pudessem estimular seus filhos durante a quarentena. Para sua surpresa, muitas mães a procuraram em busca de ajuda e orientação.

Carla, então, resolveu reunir forças, com outras mães e amigas ativistas da causa para construírem possibilidades de ajuda.

A OMA surgiu de um ideal coletivo, construído por cada pessoa que passou por este debate, durante o processo de construção e se tornou um sonho, fruto da união de quatro mulheres: Carla Mandolesi, Mohane Nery, Ana Paula Barrêto e Anamaria Rodrigues, mães, ativistas e profissionais que, inconformadas, uniram suas expertises e experiências para lutar juntas, pelo coletivo!

Todas as contribuições recebidas, durante o processo de construção, estão carregadas na essência da Organização que visa muito mais do que compartilhar experiências de luta pessoal. Nosso objetivo maior é levar o apoio à comunidade TEA: acolhendo no momento do recebimento do diagnóstico, informando sobre os tratamentos com maiores evidências científicas, oferecendo suporte emocional e jurídico quando necessário, e, acima de tudo, lutando incansavelmente pelo direto a uma vida onde todos possam ter oportunidades de desenvolvimento igualitário.

Me

Cultura Organizacional

A OMA estabelece como base de seu trabalho o acolhimento e suporte emocional aos familiares no momento do diagnóstico, perpassando por suporte emocional, jurídico, até a conscientização sobre o TEA, suas possíveis comorbidades e intervenções com evidências cientificas.

Como missão, vamos conscientizar e informar sobre o autismo desde o diagnóstico até as intervenções, amparando as famílias e transformando-as em multiplicadoras, por meio de capacitação.

A nossa visão é tornar-se modelo em amparo e rede de apoio à causa autista, permitindo a multiplicação deste modelo pelo país.

E temos como valores informar e conscientizar sobre o autismo e suas comorbidades com simplicidade;

Amparar e fortalecer familiares autistas com humanização;

Engajar os familiares nas intervenções para continuidade do desenvolvimento e multiplicação de conhecimento;

E cultivar um ambiente de empatia, humanização e muito respeito, fazendo mais, usando menos, com dedicação, paixão e humildade.

Família e Emocional

Criar uma rede de apoio e troca pós diagnóstico, através de um grupo de familiares no WhatsApp, site e redes sociais, além de oferecer, quando necessário, suporte psicológico às famílias, encaminhando para um dos profissionais parceiros (em alguns casos com terapias individuais e em outros em grupo)

Informação e Direito

Informar sobre o que é o TEA, suas possíveis comorbidades, terapias com evidências científicas desde o acolhimento e oferecer apoio jurídico e, em casos de famílias que não possam arcar com o custo de uma ação judicial, tomar as medidas sem custos

Desenvolvimento ABA

Cientes que nem todos possuem planos de saúde e logo, não poderão pleitear acesso a ciência ABA, intervenção com maior evidências de resultados no desenvolvimento de pessoas no TEA, a OMA oferecerá cursos de capacitação para treinamento de pais com base na ciência ABA

Aproximação Afetiva

Criar ferramentas de estímulos e aproximação afetiva, possibilitando maior socialização por meio de oficinas de culinária, artesanato, entre outras

Capacitação

Oferecer cursos para instituições, educacionais e médicas com o objetivo de criar mecanismos próprios de se manter, além de informar e preparar profissionais

Conscientização

Organizar Congressos, Webinários, lives e cursos por meio, das redes sociais com o objetivo de informar sobre autismo com base em evidências científicas

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dias desde que surgiu o Instagram que deu origem a OMA
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dias desde que surgiu o Projeto OMA
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dias desde que @mãesazuis se transformou em @organizacao_maeazul
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dias desde que nos unimos por lutar em prol da equidade
  • Leve, Moderado, Severo: A Divisão Equivocada do Espectro Autista

    Leve, Moderado e Severo, são os famosos termos utilizados por grande parte dos profissionais, familiares e autistas, para indicar qual o grau de autismo. Porém, essa divisão é falha e causa diversos equívocos, como:

    • Achar que o autista leve é menos autista do que o moderado e severo.

    • Achar que por estarem no mesmo grupo, os autistas são iguais. Ex: todos os autistas moderados possuem as mesmas dificuldades.

    • Achar que os autistas de um grau mais leve possuem menos dificuldades em tudo quando comparados a um autista de grau mais elevado.

    • Acharem que o autista severo é totalmente incapaz e que o leve não necessita de suporte.

    .

    Essa divisão simplória acaba prejudicando na compreensão do que realmente é o espectro, assim como pode dificultar um suporte mais individualizado para cada autista.

    Um autista tido como leve, pode apresentar mais dificuldades em certas atividades do que um autista considerado moderado. Portanto, é impossível enquadrar o autismo de um indivíduo em apenas um grupo (leve, moderado ou severo), já que o mesmo autista pode apresentar dificuldades de intensidades variadas. 

    Inclusive, essa divisão não consta em nenhum dos manuais diagnósticos, sendo, portanto, uma terminologia informal e por vezes prejudicial.

    Os manuais diagnósticos dividem os autistas de acordo com a necessidade de suporte. Sendo elas, nível 1, 2 e 3 de suporte. Ainda é uma forma imperfeita, porém mais assertiva de se usar para sinalizar o nível de suporte que cada autista requer, ao invés de inferir graus de severidade.

    .

    Com isso, NÃO estou querendo dizer que todo autista é igual. Pelo contrário, estou dizendo que cada autista é único e as dificuldades variam de intensidade em um mesmo autista.

    .

    Acredito que seja mais produtivo deixarmos aos poucos de usar tais termos, ao invés de apenas dizermos que autismo leve é leve só no nome e que autismo severo não é sinônimo de  incapacidade.


    Texto: Lucas Pontes, do perfil @arteaspie_autismo

  • Neurodiversidade, o que é isso?


     Cada dia mais a neurodiversidade está em evidência. Quem vive dentro dessa realidade do TEA se depara quase que diariamente com essa palavra e, felizmente, até para quem não tem algum familiar ou conhecido dentro do espectro do autismo, o termo começa a ficar conhecido. Mas o que é neurodiversidade de fato e por que é tão importante? 


    Hoje vou falar um pouco sobre esse assunto que não é tão simples quanto parece e o porquê de ser tão importante que as pessoas entendam e aceitem esse conceito. 


    Foi uma socióloga, jornalista e pessoa autista australiana, Judy Singer, quem cunhou tal termo, no final da década de 1990, através de sua tese de doutorado que mais tarde até se transformaria em um livro de nome “ Neourodiversity: The Birth of an Idea” , e depois disso o conceito foi se popularizando cada vez mais. 


    A ideia central é simples, ela prega que o desenvolvimento neurológico atípico, ou diverso, seria algo esperado dentro do desenvolvimento biológico da raça humana, portanto, algo a ser aceito e levado em conta na constituição da espécie, não algo a ser corrigido ou consertado na pessoa para que ela se adeque a um padrão de normalidade tido como típico. 


    Como eu disse, a ideia é simples, mas a prática nem tanto. Desde que o mundo é mundo, existe a neurodiversidade e se formos buscar na história podemos citar vários exemplos de pessoas notáveis que se enquadravam em um desenvolvimento atípico, chego a duvidar que teríamos alcançado esse nível de desenvolvimento em que estamos se não fosse essa diversidade. 


    Também é verdade que, seja por falta de conhecimento, por preconceito, ou de tudo junto, o ser humano não lida bem com as diferenças e há não muito tempo, crianças autistas eram acorrentadas em manicômios e segregadas da sociedade, e mesmo quando não chegavam a ser internadas e lá deixadas, eram separadas do convívio das outras, seja nas escolas ou em qualquer outro ambiente comunitário. 


    Hoje, não basta apenas inserir a pessoa autista com leis de inclusão onde ela tem o direito de escolher em qual escola estudar, ou buscar garantir acesso as diversas terapias que visam ajudar no desenvolvimento do individuo e possibilitam uma vida adequada na sociedade. 


    A cultura neurodiversa prega muito mais do que isso. Essa tem como premissa um olhar social sobre a deficiência em detrimento a uma abordagem exclusivamente médica da mesma. Busca não uma cura para a pessoa autista ou para o autismo, mas sim aceitação e diz que não é apenas a pessoa com desenvolvimento atípico quem necessita de tratamento e sim a sociedade como um todo, pois reitero, não basta que o indivíduo atípico se adeque e sim que toda a comunidade se ajuste às várias maneiras de existir e a todas as configurações cerebrais. 


    Claro que com isso não estou dizendo que leis e políticas de inclusão não são importantes. Mais do que isso, são muito úteis e necessárias pois são o caminho para esse fim que busca o movimento da neurodiversidade e são instrumentos de equidade. Também, essa abordagem não é excludente, e sim complementar ao modelo médico, pois a medicina atua atrelada aos conhecimentos científicos e baseada em evidencias contribuindo para um desenvolvimento pleno. 


    Exemplificando e trazendo para o mundo real o porquê de tamanha importância de todo esse conceito, podemos observar alguns dados recentes divulgados em estudos científicos e pesquisas.


    Dados mostram que quase 85% das pessoas autistas estão fora do mercado de trabalho, mesmo tendo potencial para desenvolver um ótimo trabalho nas mais diversas áreas. 


    Publicado na prestigiada revista Lancet Psychiatry em 2014, por Segers e Rawana, um estudo realizado com autistas mostrou que 66% dos participantes relataram pensar em suicídio e que 35% destes, tentaram ao menos uma vez no passado, suicidar-se. Outro estudo publicado em 2017, duas pesquisadoras do Reino Unido, Sarah Cassidy e Jacqui Rodgers, mostra que dados preliminares acerca do tema suicídio no TEA é alarmante. Hirvikoski e colaboradores corroboram esses fatos em outro estudo reportando o suicídio como uma das principais causas de morte prematura em pessoas autistas. 


    Mas por que essa incidência tão grande no TEA? Uma revisão realizada por Richa e colaboradores em 2014 mostrou os principais fatores de risco em indivíduos autistas. São eles:


    • Distúrbios de comportamento (comportamentos opositores, agressivos, explosivos e impulsivos).

    • Sintomas depressivos (a depressão é uma das comorbidades mais presentes no autismo). 

    • Histórico como vítima de bullying. 

    • Histórico de abuso sexual (dados mostram que em pessoas com deficiência a incidência desse tipo de abuso é mais que o dobro que na população geral e que em autistas é ainda maior). 

    • Eventos de estresse emocional (comuns no autismo relacionados a eventos como mudança de rotina ou de rituais específicos por exemplo). 

    • Faixa etária (principalmente adolescência). 

    • Tendência ao isolamento físico e falta de possibilidade de interação com os pares da mesma idade. 


    Agora notem dentre os principais fatores que nem tudo tem a ver com o TEA. Logo de cara podemos observar que o bullying, abuso sexual e faixa etária não são inerentes ao autismo sendo os dois primeiros relacionados a intolerância e maldade alheia, e o terceiro a um fator biológico. A tendência ao isolamento físico apesar de ser um dos principais déficits nos transtornos do espectro do autismo, não se dá apenas pela dificuldade do autista em socializar como também pela falta de aceitação das diferenças e muitas vezes pela insistência de que a pessoa atípica se comporte de maneira típica, algo que além dela não ser capaz, causa sofrimento pela frustração ao tentar e não conseguir. 


    Até mesmo os distúrbios de comportamento e os eventos estressores, que são diretamente relacionados ao autismo, não tem seus alicerces apenas baseado nisso, pois a agressividade, oposição e impulsividade podem ser abrandadas quando existe acesso universal as intervenções adequadas, o que não é uma realidade principalmente em países como o Brasil. Já as mudanças de rotina e rituais que também são intimas do TEA, têm a possibilidade de serem amenizadas com práticas de inclusão e adaptação melhores trabalhadas, tanto na escola quanto no mercado de trabalho por exemplo. 


    Com tudo isso fica fácil entender porque a depressão, que também não é algo de dentro do autismo, está tão presente e como tudo isso culmina nessa alta taxa de mortes precoces por suicídio. 


    Por isso, não basta falar em neudiversidade, é preciso praticar, é preciso aceitar! Incluir é um dever de todos e não apenas de políticas públicas e de instituições. Prédios e leis não incluem; pessoas incluem! 


    É preciso ouvir os autistas, promover a auto aceitação e o orgulho de ser como é, bem como a aceitação de todos. Não busque a cura e sim o cuidado. Promova o desenvolvimento das potencialidades e a atenuação das dificuldades. Como diria a espetacular Temple Grandin, “ o mundo precisa de todos os tipos de mentes!”

    Autor: Fábio Cordeiro - Conselheiro da OMA, criador da Página @aspiesincero e ativista 

  • Menstruação e Autismo


     Quando entrei nesse ativismo muita gente me perguntou sobre período menstrual, mas eu nunca entendi. Porque pra mim sempre foi difícil, e eu não sabia que era autista. Então eu achava que minhas reações eram normais, e típicas. 


    Todas as mulheres passam por mudanças de humor durante o período menstrual, todo mundo que tem útero passa por isso. Hormônios oscilando o tempo todo. Não é fácil, atípica ou típica. 


    Porém, nós autistas.. quase 100% temos transtorno de processamento sensorial, o nosso sensorial é muito diferente das pessoas típicas. E quando estamos em período menstrual, piora ainda mais. 


    Eu sempre fiquei muito instável nesse período, quando era mais nova já cheguei a avançar em pessoas, não entendia minhas oscilações de humor e não entendia o meu lado sensorial. 


    Como é a tpm? Terrível, igual a de todo mundo que tem útero. Autistas sentem só um pouco mais a flor da pele, eu diria.. somos mais sensíveis.


    Crise aumenta, fico muito propensa a crises nesse período, lidar com o sensorial todo desregulado mais os hormônios do período menstrual, me desregula por inteiro. É muito difícil ser produtiva nessa época. 


    Em relação a lidar com a menstruação, nunca tive maiores problemas, apenas demorei pra me adaptar por ser uma quebra de rotina, e ter que me adaptar a essa nova rotina de cólicas, instabilidade, crises mais frequentes, até mesmo troca de absorvente pra nós é novidade e pode ser mais difícil pra nós autistas do que para pessoas típicas, já que nós que somos atípicos podemos ter uma dificuldade maior para lidar com coisas consideradas simples e do cotidiano. 


    🌸💖 texto: Bianca Galvão - Conselheira OMA, e criadora da página do Instagram  @ativismoautista 



  • A luta pela Inclusão!


    Cada mãe que recebe o diagnóstico, é mais uma guerreira na causa! Lógico, existem também muitos pais, avós, tios... porém, a maioria são mães mesmo! Buscamos informações, lutamos por terapias, e brigamos por seus direitos! Nosso lugar de fala não é como autista, é como mãe, pai, avó... de autista. Nossas lutas são por oportunidades para eles, para conscientizar sobre a necessidade do respeito e inclusão, nosso papel é proteger, amparar, zelar, durante toda uma vida se for preciso! 

    Atualmente, com tantos diagnósticos tardios, aprendemos muito com autistas adultos, como nossos filhos enquanto pequenos, e muitos ainda sem falar, se sentem! E eles nem imaginam como nos fortalecem e ensinam!

    Recentemente vi duas postagens que me tocaram profundamente, uma foi do incrível Guilherme, do @autismoembuscadainclusao e outra foi uma pergunta feita para a Carol do @autizando . 

    Guilherme sentiu profundamente a falta de empatia durante uma aula, e se impôs, disse que errou, mas que o outro deveria parar de julgar e ajudar! E essa é a mais pura verdade! Chorei com sua mãe, entendi exatamente o que ela estava sentindo, um mix de raiva ( do outro), e orgulho ( do Guilherme), pois ele embora sentido, já compreendeu que precisa mesmo se impor, e que a rede de apoio estará ali sempre com ele! Ele falou com vontade, com propriedade, argumentos legítimos! Espero que o causador de sua tristeza tenha visto seu vídeo, e envergonhado, tenha compreendido como precisa melhorar como ser humano! 

    O outro foi uma pergunta feita para Carol, sobre como autistas demonstram sentimentos. Sinceramente, acho que o problema não está em não demonstrar, mais sim em quem não vê as diferentes formas de demonstrar sentimentos! Não conheço a Carol pessoalmente, e vejo diariamente em suas postagens tanto sentimento! 

    Vejo pessoas típicas diariamente com sorrisos e choros falsos, mentiras e inveja que poucos notam, aí pergunto, o problema está em demonstrar o sentimento ou conseguir ver o sentimento mostrado? 

    Estamos tão acostumados a viver em um mundo cheio de mentiras, que estão começando a sentir dificuldade em identificar sentimentos legítimos!

    É preciso conscientizar sobre o que é o Espectro Autista, quando digo isso, quero conscientizar que antes de mais nada é preciso aceitar, e falar sobre o diagnóstico para todos! Não é possível esperar de pessoas que não convivem com o TEA a inclusão e o respeito, se você, familiar, não inclui e respeita seu filho, exatamente como ele é! 

    Não podemos esperar uma sociedade inclusiva sem explicar para a sociedade quais são as necessidades ou especificidades que cada autista tem! O capacitismo tem cura, e a sua cura é a informação!

    Carla Mandolesi - Presidente da OMA e Mãe da Incrível Carol

  • Autismo não é um check list


     Como percebeu que tinha algo diferente em sua filha? Ela é tão normal! Ela é tão bonita! Perdi as contas de quantas vezes escutei essa pergunta, e respondo, autismo não é um check list, ele é um enorme espectro com vários autismos! Carol olhava no olho, sempre foi flexível com rotinas,  interagia com outras crianças, a sua maneira, comia de tudo, ué, então como assim ela é autista? 

    Simples, o que determina o diagnóstico é a dificuldade de comunicação e interação social, e comportamentos restritos e repetitivos. Vale ressaltar que não significa somente não falar, lembre-se, falar, não é se comunicar! Carol falava  em 3 idiomas com 1 ano, na verdade resultado de ecolalia funcional!Ou seja, ela respondia o que era perguntado com utilização de falas prontas! 

    Com 8 meses, Carol identificava TODAS as letras do alfabeto , e números de 0 a 9, lia placas dos carros na rua! Só que nem fazia ideia do que era aquilo! 

    É importante lembrar, uma casa se constrói a partir da fundação, e não do telhado! O mesmo vale para o processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, se pulam etapas importantes, ficam lacunas, e as relações se tornam mais difíceis! 

    E os movimentos repetitivos, já existiam, especialmente o balançar das mãos! 

    Com o passar do tempo, os interesses já não eram os mesmos que outras crianças, lembra das lacunas que falei? Ela passou a ficar mais isolada! Com intervenções precoces, e a sorte de encontrar algumas crianças incríveis na escola, o desenvolvimento começou a acontecer! 

    Nossa leitura sobre estímulos é bem diferente, entendo que estímulo está na nossa rotina, e precisa ser feita com alegria! Quem nunca teve que fazer algo que não gostava, e usava de música, TV, ou mesmo pensar em um lugar ou pensar em uma pessoa para fazer, e quando percebeu, estava até se divertindo? Assim devem ser os estímulos para as crianças, natural, divertido! Estímulo sem alegria, para mim, é tortura! 

    Não romantizo o autismo, mais não é o fim do mundo, é só uma forma diferente de aprender ou atingir objetivos! Apoio e incentivo são fundamentais, não adianta gritar, reclamar, explique, mostre apoio, segurança, seu filho vai aprender! 

    Confie sempre em seu coração, se acha que algo não está normal, seja pela ausência, ou pelo excesso de algum marco de desenvolvimento,  procure um neuropediatra, pesquise, só não caia naquela conversa de que cada criança tem seu tempo!

    Carla Mandolesi - Presidente da OMA e mãe da incrível Carol

  • Falsas promessas de cura!




     Quando recebemos o diagnóstico de autismo, inúmeros são os sentimentos né? Susto, medo, fragilidade...e esses sentimentos, somado a falta de informação,  geralmente, nos leva sempre para um mesmo lugar, o Google! E infelizmente, muitas vezes perdemos um tempo preciosos, e até mesmo colocamos nosso bem mais precioso, nossos filhos, em risco! 

    É isso mesmo, você achava que tinha sido o único que depois de tanto tempo pesquisando sobre o desenvolvimento atípico do seu filho no Google,  voltou ao mesmo espaço de busca depois do diagnóstico confirmado? Acredite, todos passamos por essa fase, o que muda agora é a pergunta. Antes era: o que meu filho tem?, meu filho não fala, o que pode ser isso? Meu filho não olha quando chamamos....? Agora que as respostas para todas essas perguntas, foram confirmadas pela Neuropeditra, Autismo, você retorna com a nova pergunta:  Existe cura para o autismo? 

    É lamentável, muitas pessoas gananciosas e sem compaixão, apresentam  inúmeras possibilidades de cura, TODAS FALSAS, mais naquele momento, soam como músicas aos nossos ouvidos!

    Vamos falar sobre algumas das FALSAS promessas mais comuns? 

    😱 Vitamina D e Ômega 3, irão fazer seu filho falar e ficar curado do autismo!  Na verdade, são suplementos alimentares, e só devem ser consumidos se exames de sangue solicitados, demonstrarem  insuficiência destas vitaminas. Entretanto, elas não terão o poder de fazer seu filho falar, ou ficar curado do autismo;

    😱 MMS cura autismo! Essa é uma das mais perigosas de todas as falsas curas, o MMS, também conhecida como Solução Mineral Milagrosa, é na verdade um tipo de alvejante, composto por clorito de sódio a ácido clorídrico. Essa substância é tão tóxica, que sua venda é proibida pela Anvisa. O MMS já levou muitos ao óbito, infelizmente, muitas pessoas insistem em seu consumo.

    😱 Chá, natural e cura que a Indústria farmacêutica não quer que você saiba: Essa, parece inofensiva, pois como os títulos já dizem, é  natural! Entretanto, por mais que possam parecer inofensivos, algumas substâncias, mesmo naturais, em grandes doses, podem causar inúmeros problemas graves, como a sobrecarga de rins e pâncreas, podendo causar falência de órgãos, e até a morte;

    😤 Ozônio terapia é a solução! Essa é das mais absurdas, pois propõe que através de uma canola introduzida no anus, se libere ozônio. Fica a pergunta, como um transtorno, que ocorre no cérebro, seria curado, através de uma terapia tão invasiva pela anus? 

    Essas são algumas das Falsas curas que nos deparamos, mais infelizmente existem muitos outras, e nenhuma funciona, pois como já falamos, autismo não é doença, logo, não tem cura!

    💙Dicas:

    🎯 Pesquisar é fundamental, mais sempre através de fontes seguras! 

    🎯 Cuidado com páginas que incluíam depoimentos, sei que a vontade de que aquilo seja possível nos cega, mais normalmente se tratam de pessoas que estão envolvidas na venda da “cura”, ou pessoas que tiveram um efeito placebo.

    🎯Estude, se informe, pergunte, participe de cursos, palestras, congressos, muitos são gratuitos.

    Conte Conosco!

    OMA 

    Texto: Carla Mandolesi


  • Existe cura para o autismo?


     Autismo NÃO É DOENÇA, logo, não tem cura ok? Vamos entender de forma mais simples? 

    O autismo é um transtorno do desenvolvimento, e essa condição afeta cada autista de uma forma, por isso, falamos Transtorno do Espectro Autista, pois temos diferentes autismos dentro deste espectro! 


    O DSM-5, Manual Diagnóstico e estatístico de Transtornos Mentais, diz que o TEA “é definido pela presença de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”. Não podemos esquecer também dos movimentos restritivos repetitivos. 

    Não existem testes para diagnosticar o TEA, só um exame clínico feito por um Neurologista, ou Psiquiatra pode fechar esse diagnóstico, preferencialmente, após avaliação conjunta de uma equipe multidisciplinar. Essa equipe idealmente, é formada por fonoaudiólogo, Pscologo Comportamental, Terapeuta Ocupacional Sensorial, Psicopedagogos , psicomotricista. Essa equipe pode ser maior ou menor, tudo depende da orientação do Neuropediatra, que irá fazer esse direcionamento com base nas necessidades identificadas na criança. 

    Algumas vezes, o Neuropediatra, solicita exames, como de sangue, eletrocardiograma, eletroencefalograma, Testes de alergia, mais qualquer um desses exames são para identificação de comorbidades, intolerâncias alimentares, mais não possuem nenhuma relação com o autismo em si!

    Não existe remédio para autismo. Autistas que fazem uso de medicamentos, o fazem para comorbidades!

    De acordo com estudos de 2019 do JAMA Psychiatry, 97% dos casos de autismo estão ligados  a fatores genéticos, vamos falar melhor sobre isso em outro momento. E os 3% restantes são causados por fatores ambientais! 

    🤷🏻‍♀️Epa, mais o que são esses fatores ambientais? São alguns:

    - Uso de drogas e álcool durante a gestação;

    - Idade avançada dos pais;

    - Infecções virais durante a gestação;

    - Partos prematuros;

    - Uso de ácido valproíco, que é um anticonvulsivo e antidepressivo.

    Mais é importante falar, esses fatores ambientais, sozinhos, ainda não possuem comprovação que seriam capazes de causar o autismo, normalmente, já existia alguma questão genética que tornou esses aspectos ambientais possíveis. 

    Como já falamos, o autismo não tem cura, porém, existem intervenções com evidências científicas de sua eficácia no desenvolvimento do autista, inclusive possibilitando a mudança do autista dentro do espectro! Muitas vezes chegando ao Come Out, erradamente chamado de sair do espectro! Ninguém sai do espectro, a pessoa fica com traços mais leves do autismo, algumas vezes pouco perceptíveis.

    Por isso, se alguém te oferecer cura para o autismo, não acredite, não perca tempo com falsas promessas, pois quanto antes as terapias com evidências científicas iniciarem, mais rápido chegará aos resultados!

    OMA

    Texto: Carla Mandolesi

  • Meu filho saiu do espectro


     Meu filho saiu do espectro! Certamente você já ouviu alguém falar essa frase!🤦🏻‍♀️

    Tenho algo para te contar, isso não existe! Vamos entender? 

    Como sabemos, existem inúmeros autistas dentro do autismo, por isso chamamos de espectro autista. Mesmo autistas que estejam dos chamados, leve, moderado, ou severo, ou seja, que precisam de diferentes graus de apoio são diferentes. Alguns possuem hiper ou hipossensibilidade a coisas diferentes, possuem comorbidades diferentes ou mesmo nenhuma comorbidade, é raro, mais acontece, enfim, cada autista é único! 

    Sabemos também que as causas do autismo são 97% caudadas por fatores genéticos, e 3% por fatores ambientais. Entretanto também sabemos, que com intervenções corretas, preferencialmente precoce, é possível que o desenvolvimento ocorra ao ponto do autista transitar dentro do espectro. 

    Com intervenções devidas, o desenvolvimento do autista é natural, de maneira que um autista antes diagnosticado, por exemplo, como o chamado severo, depois de muitos estímulos pode se tornar um autista moderado, ou moderado para leve, e leve para o ... Come Out, que quando traduzido de forma literal, virou o famoso, e ERRADAMENTE disseminado como o Sair do espectro! 

    O Come Out, nada mais é que um desenvolvimento tão grande dentro do espectro, que os traços do espectro ficam bem leves, muitas vezes sendo pouco perceptíveis.Mais é preciso ressaltar, embora com traços leves, ele continua sendo autista! E os traços pouco perceptíveis, ainda podem causar dificuldades para o autista.

    E é importante ainda ressaltar uma outra razão muito importante para não repetir a tal frase “ sair do espectro”, essa frase é extremamente ofensiva para muitos autistas, pois para muitos, o sair do espectro significaria dizer deixar de ser quem são! 

    Está frase também alimenta falsas esperanças em pais, que acreditando ser verdadeira, acabam sendo enganados, perdendo o preciso tempo da neuroplasticidade cerebral de seu filho e muito dinheiro! 

    Quando recebemos o diagnóstico, o susto e o medo são grandes, e escutar uma frase como : “Meu filho saiu do espectro”, gera uma esperança, que causa um novo luto para muitos!

    Então a partir de agora, nada de usar “sair do espectro” ok? Pois ela passa uma ideia errada sobre o autismo, e pode ofender muito! 

    Autistas sempre serão autistas, sempre verão e sentirão o mundo de forma única, por isso é importante o diagnóstico, para que possam se compreender, e aceitar! 

    E para os pais, quanto antes aceitar o diagnóstico, e perceber que ele nada mais é que uma vírgula em sua história, e não um ponto final, menores são as chances de se deixar enganar com falsas curas, para algo que não é uma doença! 

    🎯Somente a informação possibilita a real inclusão, por isso, divulgue, e evite que charlatões, enganem e construam falsas expectativas nos pais! 

    OMA

    Texto: Carla Mandolesi

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